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segunda-feira, 26 de dezembro de 2016

PESQUISA: UM 'RAIO X' DA POPULAÇÃO EVANGÉLICA NO BRASIL



NOVA GERAÇÃO DE EVANGÉLICOS OCUPA MEDADE DOS BANCOS DAS IGREJAS


O livro tem uma capa cor de rosa e bordado de flor.

A narrativa é pontuada de seções que remetem ao vocabulário adolescente: "Mandando bem!", "Ah, tô ligada!", "Sonho meu", "Entre nós duas".

Não é uma agenda, um livro de auto-ajuda ou um romance escolar. É a "Bíblia da Garota de Fé", que tem ainda "indicação de versículos bíblicos que ajudarão as meninas nas situações difíceis que enfrentarem" e "um espaço para compartilhar com Deus os sentimentos e pensamentos mais íntimos".

Muito mais ativos na conversão, os evangélicos têm uma extensa lista de produtos pensados para aqueles que já ocupam mais da metade de seus bancos: os jovens.

"Livre da rigidez, da centralização decisória e da gestão esclerosada da Igreja Católica, eles se movimentam rapidamente para atender as necessidades de seu público", diz o professor de filosofia da religião da PUC-SP e colunista da Folha Luiz Felipe Pondé. Cresce a oferta de religiões adaptadas a nichos de mercado, as "house churches" ou "igrejas de garagem", como são chamadas.

"Elas funcionam como start-ups, e por isso se aproveitam bem do ambiente atual", diz Pondé. "Basta uma sala e um punhado de cadeiras de plástico."


























OUTRO BERÇO

Não só as igrejas mudaram; seu público também. A diferença começa da origem –os novos evangélicos não são ex-católicos convertidos para o protestantismo, como 65% dos mais velhos.

São também menos fiéis a uma única denominação: 58% frequentaram outras igrejas evangélicas, contra 44% dos mais velhos.

"Hoje em dia, a escolha se dá por interesse específicos: oportunidade econômica, melhoria social em geral, cura não só de doenças físicas, mas de mal-estar da alma, de sofrimentos psicológicos", diz o professor de sociologia da USP Reginaldo Prandi.

"As pessoas vão atrás desses bens materiais ou simbólicos e, se não dá certo, trocam. É um toma-lá-dá-cá: se a promessa não se cumpre, elas não têm laços que as prendam."






BEBIDA E ROUPAS

Na orientação da igreja mais seguida pelos evangélicos –evitar o consumo de bebida alcoólica– os jovens são os que mais caem em tentação. De cada 10 menores de 24 anos, 4 não seguem totalmente a orientação, o dobro do que se verifica entre os maiores de 60 anos.

Só um terço deles segue orientações sobre que roupas são adequadas para o dia a dia e 43% respeitam restrições a conteúdo de TV e internet considerado impróprio. A porcentagem de respeito a essas regras cresce conforme a idade.

Também misturam menos política com religião.

A comparação entre o universo de jovens evangélicos e os representantes mais velhos da religião mostra diferenças significativas também no posicionamento sobre temas como aborto, casamento gay e outras religiões. E nem sempre os mais jovens são os mais liberais.

Três quartos dos evangélicos com menos de 35 anos acham que a homofobia deve ser punida por lei –entre os mais velhos, menos de dois terços defendem a punição.






CASAMENTO GAY

No caso da legalização da união de pessoas do mesmo sexo, 56% dos jovens evangélicos são contra, e 28%, a favor. É uma minoria, mas o apoio cai ainda mais conforme o avanço da faixa etária.

São 14% os favoráveis na faixa intermediária, de 35 a 44 anos, e 5% na mais avançada, acima de 60 anos.

O mesmo se verifica sobre a adoção de crianças por um casal gay: entre os mais jovens, 39% apoiam, índice que cai para 18% entre quem tem de 35 a 44 anos, e para 16% entre os mais velhos.

Mas mais de 70% dos que têm até 35 anos acreditam que mulheres que interrompem a gravidez deveriam ser processadas e ir para a cadeia –contra 54% daqueles que têm mais de 60 anos.

E menos da metade dos evangélicos mais jovens concorda com a afirmação de que "todas as religiões têm o mesmo valor porque todas levam ao mesmo Deus" –são 57% dos mais jovens.

O mesmo movimento de modernização que produz Bíblias cor de rosa produz cultos-baladas, sessões de bandas gospel e encontros de amigos, que atraem para a igreja mais de uma vez por semana 60% dos fiéis que têm até 24 anos.

"O meio evangélico é pulverizado, permite muita invenção, o surgimento de pequenas lideranças", diz o professor de antropologia da Unicamp e pesquisador do Cebrap Ronaldo de Almeida.

Essa flexibilidade "está no mito de origem da religião, está justificado teologicamente", diz ele.








VEJA AS PRINCIPAIS RELIGIÕES CRISTÃS:






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  Fonte:

Postado por: MARCOS MARCELINO




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